mai 25th, 2010
Renato Janine: família e escola devem cooperar entre si
Após sua apresentação no Fórum Educacional, Renato Janine Ribeiro conversou com a reportagem da Interdidática. Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo e professor titular de Ética e Filosofia Política da USP, Janine abordou com veemência a educação ética com a participação dos pais para um plano adequado de ensino.

“A família está em crise há muito tempo”, pontua Janine. “Pais e filhos não almoçam nem jantam mais juntos, a transmissão de valores éticos pela família está limitada, porque muitas vezes esses valores acabam vindo pela escola ou por outro meio e a família não apoia”, lamenta. O professor ainda afirma que há pais que sabotam na prática os valores éticos que a escola ensina, porque ensinam as pessoas a levar vantagem em tudo.
“Precisamos reverter isso”, pondera. E lamenta: “A família está fraca, a escola está fraca. Elas tem que aprender, de alguma forma, a cooperar entre si. E isso talvez tenha que ser uma iniciativa da escola, mesmo estando super demandada, ela tem que ser capaz, de alguma forma, de conquistar a família para estar do seu lado”, finaliza o especialista.
Para Janine, a Interdidática é importante para difundir junto a um grande público que está com a mão na massa, mexendo com educação, as questões cruciais do momento. “Identificar os desafios e as dificuldades, que são enormes, e quais as técnicas, as propostas e as ideias, que existem para melhorar isso”, diz.
Com 65 capítulos de livros e 17 livros editados, o professor vê a condição do educador desvalorizada pelo Brasil. “Isso é grave”, avalia. “Estamos num país que fala muito em sociedade do conhecimento, importância da formação e da educação, mas no frigir dos ovos isso não é realidade, não é uma prioridade social, nem dos pais, quando gastam mais dinheiro em bem de consumo do que em formação, educação, cinema, teatro, conserto, balé, etc.”
Janine ainda alerta que a educação não é uma prioridade das empresas. “Vivemos, no Brasil, uma certa esquizofrenia, de falar-se da importância da educação, da formação das pessoas, e se fazer muito pouco nesta direção.” O educador afirma que o profissional da educação se sente pouco valorizado e cobrado a fazer cada vez mais coisas que ele pode não fazer. “Por exemplo, políticas de integração de minorias discriminadas”, explica. “O Brasil, historicamente, discrimina e exclui minorias como negros e descendentes indígenas. Na hora de incluí-los, dá-se um trabalho a mais ao professor. Esse profissional está muito desgastado. Precisamos dar muita força ao ambiente dos educadores”, conclui.

