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Reviravolta na educação digital
A participação dos analfabetos digitais na sociedade será mais difícil, diz especialista
A geração atual já nasceu em frente a uma tela de computador, foi alfabetizada com auxílio das novas tecnologias e, por isso mesmo, é classificada como a geração dos “jovens multifuncionais”. São os que trocam mensagens, estudam, falam ao telefone, namoram, fazem upload de vídeos, navegam no twitter, trocam fotos e apóiam candidatos à presidência. Tudo ao mesmo tempo e pela internet.
A educação digital provocou uma reviravolta na forma do aprendizado. Por isso mesmo, aqueles que não têm acesso a computadores vão disputar de forma desigual um espaço no mercado de trabalho e na sociedade. “Eles terão que aprender essas ferramentas em uma fase posterior da vida, e vão estar em desvantagem. Os jovens que crescem sem as tecnologias digitais estão na mesma desvantagem que os imigrantes digitais, como eu”, diz o pesquisador canadense Don Tapscott.
Em entrevista ao iG, Tapscott defendeu o uso escolar de pesquisas online. “Não acho que, automaticamente, o Google faz as pessoas mais inteligentes, mas certamente ajudam as pessoas a tomarem decisões mais informadas. Nas escolas, por exemplo, por ter esse corpo enorme de informações em um dos dedos, é menos importante memorizar os fatos. Isso libera o tempo dos alunos a concentrar-se em conceitos mais importantes”, analisa.
“É muito comum os estudantes copiem trabalhos disponíveis na internet, porém, os alunos devem ser informados que o plágio não é tolerado. Se os alunos receberem instruções claras quanto ao que constitui plágio e escolherem ignorá-las, devem estar preparados para as conseqüências”, explica Tapscott.
Em seu livro, Tapscott diz: "é mais difícil de ensinar a cães velhos truques novos", pois os mais velhos podem acompanhar as mudanças, mas para eles é muito mais difícil. Os jovens de hoje são a primeira geração de nativos digitais. Eu sou um imigrante digital, ou seja, tive que aprender a língua e cultura digitais. Para os jovens é como o ar. Eles são os primeiros a entrar na era digital com uma orientação global, acesso ao conhecimento, espírito de colaboração e pensamento inovador que a minha geração só poderia invejar.
Garantir que os cidadãos tenham igual acesso às tecnologias digitais deve ser uma alta prioridade para qualquer país que quer competir na economia global, devemos usar tecnologias de Web 2.0 para permitir a voz aos cidadãos, a fim deles poderem contribuir com ideias para o processo de tomada de decisão – quando os cidadãos se tornam ativos, boas coisas podem acontecer.
Nós todos aprendemos uns com os outros. As pessoas se tornam ativas na melhoria das suas comunidades, do País e do mundo. A diferença dos jovens politizados na era digital em relação à geração anterior, é que na década de 1980 e 1990, esse grupo etário foi amplamente antigoverno, eles sonhavam com o dia que o governo poderia "sair do caminho." Nas palavras de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, o governo era o problema, não a solução. Mas os jovens já não pensam dessa maneira. Eles viram as limitações e os excessos do setor privado, e acreditam que o setor público é fundamental para resolver grande parte dos males que afligem a sociedade. Eles querem o equilíbrio.
“Uma geração ainda mais digital. Aguarde, por exemplo, quando todos nós teremos uma conexão sem fio permanente de alta velocidade com acesso à Internet, não importa onde estaremos. A vida vai ser interessante”, diz Tapscott.
Don Tapscott é autor do livro recém-lançado “A Hora da Geração Digital (Ed. Agir), e é presidente da empresa de pesquisa e consultoria Genera Innovation Network, professor da Universidade de Toronto e autor de mais de dez livros sobre internet, entre eles o Best-seller “Wikinomics” (sobre a cultura da realidade virtual). |